Daniella Liu Herzog vive um momento muito especial em sua carreira como artista. Quatro anos depois da primeira individual em São Paulo, e da participação em inúmeras coletivas, ela volta a expor seu trabalho, em duas novas mostras, ambas solo, e quase simultâneas. Uma delas marca sua estreia no circuito carioca de exposições e acontece no Centro Cultural Correios, de 15 de setembro a 31 de outubro. A outra pode ser vista no escritório de arte Dconcept, em São Paulo, de 20 de outubro a 19 de novembro.
Daniella, que deu início à trajetória artística em 1994, segue transitando entre suportes e linguagens. Da pintura ao desenho, à colagem, à instalação.
Na individual do Rio, apresenta trabalhos que guardam forte relação com a arquitetura: colunas, arcos, frisos e azulejos. Elementos que, reunidos e sobrepostos, tornam-se outra coisa: quase padronagem. Uma estampa que pode, ao transpor as fronteiras do bidimensional, invadir o espaço expositivo.
“Crio uma padronagem que se acomoda na bidimensionalidade das telas e dos papéis, mas que também ganha força no espaço tridimensional”, afirma.
Em São Paulo, o núcleo central da mostra é um grupo de trabalhos produzidos em papel de arroz, sobre os quais a artista reproduz paisagens recorrentes da China. Seja pela escolha do suporte ou da imagem que nele aplica, Daniella preserva assim uma herança oriental. Algo que ela evidencia através das linhas e de uma caligrafia particular.
Este trabalho, inédito, reforça um atributo essencial na compreensão da poética da artista: a reprodutibilidade. Uma prática que passa pela apropriação de imagens recorrentes em seu cotidiano, e que adquire novos significados a cada transposição para novos suportes.
Tramas visuais que conciliam ornamentos e caligrafias e sugerem contrapontos entre nitidez x apagamento, registro x memória. Uma viagem que teve início na cor, e que hoje investiga também a ausência da mesma. Paisagens pessoais que se revelam em meio a transparências e sobreposições.
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